Pensar dói, mas calar é muito mais dilacerante. Vá por mim!
Tentar bolar alguma frase, um pouco menos idiota do que suas conversas
rotineiras, a fim de se aproximar da “boyzinha” é, na maior parte das vezes,
muito complicado. Mas emudecer diante da criatura desejada é uma machadada no
coração. Quem é tímido, ou donzelo, sabe do que estou falando (incluindo a
besta que tecla essas linhas). Agora, se nos sentimos açoitados pela falta de
coragem no campo sentimental, imagine o desastre que é não expressar sua voz
enquanto cidadão (ou cidadã. Dei o exemplo do menino apaixonado, porque, até
agora, ainda não me encantei por barbas ou dorsos masculinos bem delineados
que... ui! Melhor parar por aqui.).
Quando um indivíduo sai às ruas para protestar, está dizendo
não ao silêncio que lhe rouba a vida. Quando um rei solta “por que no te
callas?”, ele deseja tão somente a morte momentânea de uma ideia (e também se
poupar dos absurdos e chatices que algum fictício político sul-americano adora
propalar).
Em uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus
(hipoteticamente falando. Isso nunca ocorreu em Recife), os manifestantes
gritam para que a omissão não lhes torture. A polícia, ao agir com violência
desmedida e sob ordens do Estado, quer garantir a soberania da mediocridade, do
silêncio (nota: a polícia não é A culpada. É um mecanismo que, quando mal
utilizado, serve aos propósitos de quem a comanda, não à população em geral).
Entretanto, não são apenas as instituições públicas que nos
selam os lábios. A imprensa que não (in)forma, servindo a interesses contrários
aos da população (mas muito úteis para certos membros da sociedade), é um instrumento
poderoso para nos roubar a voz. No lugar de expor os as condições em que
trabalham os motoristas e cobradores de ônibus, sujeitos (como todo cidadão) a
assaltos, trânsito caótico e rotinas de
trabalho massacrantes, essa imprensa nos faz pensar que o trânsito está melhor
sem os coletivos nas ruas (melhor pra quem? Pra a esmagadora parcela que não
possui carros particulares e depende do transporte público ou para um círculo
restrito de trabalhadores que têm, por mérito próprio, um possante pra chamar
de seu?). Diante do absurdo dessa situação, um grande escritor Tcheco,
conhecido por viajar mais que matador em terra de coronel e escrever umas
histórias “sem pé nem cabeça”, proferiu a seguinte frase: ARREGUEI! E, nesse
passo, a diarista fica com raiva do estudante, que fica com raiva do policial,
que fica puto com o motorista grevista que “não quer trabalhar”.
Findo o dia, naquela integração LAITÊZA, na parada de ônibus
descoberta e metralhada pela chuva, na rua mal iluminada e “POCO SUSPEITA”, o
camarada vai PENSAR: “ainda bem que eu leio jornal e SEI o motivo de estar aqui
na merda, sem transporte (porém, com o trânsito livre).” O problema todo, meu
bom, é pensar apenas. Isso vai te custar muito mais do que um celular roubado
ou um uma carteira. Vai te custar uma vida que poderia ter sido, mas devido ao
silêncio, nunca será.
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