Logicamente, precisamos de um tempo. É fato. Não há nada de
novo e, talvez, seja esse o problema. Não se aborreça agora, deixei as ofensas
para o final.
“Deveríamos ter ido mais ao cinema”, essa é a primeira coisa
que me vem à cabeça ao pensar em nós dois enquanto dois. Mas somos tão “uns” agora,
separados por uma Rússia, com os mesmo desertos gelados entrecortando nossas
(raras) conversas. Lembra como conversávamos depois de transar? Deitados em yin
yang, tocando as solas dos pés com os dedos e levitando acima da cama. A Cama,
por sinal, é a única coisa que se mostrou perene nisso tudo. A Cama e o seu
cheiro, na verdade.
Por favor, não ria. Eu estou sendo sincero nesse aspecto.
Nem
me pergunte a razão desta conversa. Primeiro, porque nunca fui racional nas minhas
ações. Segundo, não te dei o direito de me interromper. Que mania chata de
atravessar minha fala! Tá vendo? Desculpe por levantar a voz, mas você insiste
em não colaborar. Aproveitando que entramos nesse assunto, sua interrupção, a
outra coisa que, vez em sempre, martela meu juízo é a minha inabilidade em
expressar meus sentimentos. Não confunda com ausência de carinho, de
demonstrações públicas (e privadas) de afeto. Isso eu lhe ofereci em
abundância. O problema sempre foi minha omissão: aceitar as coisas que me
contrariavam. Ter medo de enfrentar suas opiniões, de lhe contrariar (e você
fica tão bonita de cara amarrada). Exato! É dessa cara que eu estava falando,
mas agora o encanto já não seduz.
Se você chorar, vou lhe pedir que o faça silenciosamente. Nunca
surtiram efeito as minhas súplicas para que você evitasse derramar esse rio de
água salgada durante nossas discussões. Mas ainda considero isso um golpe baixo,
que fique bem claro.
Tenha paciência, estou chegando ao fim.
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